A biblioteca escolar esteve em movimento na EB1 de Ferronho,
dinamizando dois momentos distintos de literacia e reflexão, adaptados a cada
ciclo, mas unidos pela mesma paixão pelos livros.
Parte I: "As Pontes" (Pré e 1.º Ano)
Os livros são muito mais do que papel e tinta — são pontes.
Foi com esta ideia que os nossos pequenos leitores embarcaram numa aventura
inesquecível, tendo como guia a obra "As Pontes", de Tom Percival.
Descobrimos que, tal como a Mia na história, também nós criamos pontes que nos
ligam a novas ideias, emoções e, acima de tudo, uns aos outros.
O que aconteceu nesta aventura? A sessão foi desenhada para
despertar a curiosidade em cada etapa:
- Descodificar
o objeto: Antes de abrir o livro, explorámos a sua anatomia. Aprendemos
que um livro começa muito antes da primeira frase e que cada detalhe — da
capa à contracapa — tem uma história para contar.
- O
jogo da antecipação: Com pistas e um jogo interativo, desafiámos a
imaginação. O momento alto? O desenho do que existiria "do outro lado
da ponte". A sala encheu-se de mundos fantásticos, provando que cada
leitor é também um criador.
- Leitura
expressiva: Mergulhámos na história da Mia, que serviu como metáfora
perfeita para as conexões que estávamos a construir ali mesmo, na nossa
sala.
- Livro-Mistério:
Com música, humor e surpresa, os alunos viajaram por outras obras através
de um jogo de observação. Cada livro escondia uma experiência única:
repetir uma lengalenga, ouvir um excerto musical, completar um desafio ou
descobrir segredos nas ilustrações da capa. Foi a forma perfeita de
mostrar como um livro pode levar a outro.
Terminámos este encontro com o vídeo "Eu Sou
Livro", celebrando a leitura como um espaço de encontro e partilha.
Parte II: A coragem de ser quem somos (2.º Ano)
Dando continuidade ao trabalho de promoção da leitura,
desafiámos o 2.º ano a mergulhar na obra “Eu vou comigo”, de Raquel Díaz.
Se com os mais pequenos falámos de ligação aos outros, com o
2.º ano focámo-nos na ligação a nós próprios. A pergunta da contracapa — “Estaremos
dispostos a mudar a nossa maneira de ser para agradar aos outros?” — lançou
um debate honesto e profundo sobre a autenticidade. A leitura teatralizada
ajudou a dar voz à protagonista, tornando o conflito muito próximo de todos.
O momento criativo foi inesquecível: cada criança desenhou o
seu autorretrato e criou "as suas asas", registando nelas o que há de
mais essencial e único em si. A biblioteca ficou transformada numa galeria de
força e identidade.
Terminámos estes dias em Ferronho com a certeza de que a
leitura é, em todas as idades, um espaço de encontro. Mais do que uma simples
leitura, estas atividades mostraram que cada livro é uma ponte — um caminho
para novos mundos e, principalmente, uma forma de olhar o outro com mais
atenção e ligar-nos para sempre. Seja a construir pontes ou a aprender a usar
as nossas próprias asas, a biblioteca escolar continua a ser o palco destas
grandes viagens.
"A leitura é a ponte que liga as nossas histórias
individuais a um mundo de descobertas coletivas."

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